O Colégio Pedro II foi inaugurado em Realengo, em 2004. Nessa época, a instituição funcionava provisoriamente em uma escola municipal da região. Dois anos mais tarde, passou a ocupar quase todos os prédios tombados de uma antiga fábrica de cartuchos. Para resgatar a memória do bairro, nascido naquele espaço, o departamento de História do colégio propôs criar o “Centro de Memória e Documentação”.
O projeto, que ainda está em andamento, consiste em montar um acervo com a memória de Realengo. Segundo Noemi Jorge, coordenadora de História da unidade, a concepção de montar este espaço envolve um trabalho pedagógico.
“A participação dos alunos é fundamental. Eles vão fazer a pesquisa didática e oral, e realizar entrevistas dentro e fora do colégio. O estudante vai buscar a história, registrar e documentar com a orientação dos professores”, explicou Noemi. O objetivo é recuperar a importância do bairro, que se desenvolveu a partir da Fábrica de Cartuchos do Realengo e da Escola Militar.
O espaço da antiga fábrica, inaugurada em 1897, é um patrimônio que influenciou a urbanização da região. Ela foi construída com aperfeiçoamentos modernos para a época, como a instalação de luz elétrica no edifício. Na passagem do século XIX para o XX, um levantamento realizado pela prefeitura classificava Realengo como um “povoado” de 29 quilômetros de ruas e 520 prédios, dentre os quais só o da fábrica tinha eletricidade.
O estabelecimento era o destaque da localidade. Até 1914, seus geradores, além de abastecer os próprios equipamentos e dependência, forneciam energia para a Escola Militar e para a estação de Realengo da Estrada de Ferro Central do Brasil. Os investimentos na fábrica aconteceram ao longo dos anos. No início da década de 1910, planos foram elaborados para criar uma oficina de montagem de cartuchos de artilharia e, mais tarde, durante o Estado Novo, verbas foram destinadas às forças armadas para ampliar a fábrica.
Após a desativação da Fábrica de Cartuchos do Realengo, em 1977, organizações militares ocuparam sucessivamente o local e fizeram modificações em sua estrutura, sem preocupação em conservar a área. O espaço foi tombado pelo município em 1993 e começou a ser restaurado com a chegada do Colégio Pedro II.
Para a professora de história Lúcia Matos, o reparo das edificações e o projeto do acervo vão ajudar na preservação. “Tanto os prédios quanto os arquivos vão servir de estudo para os alunos. Vai ser um patrimônio. Há uma documentação organizada pelos moradores que será elaborada, tratada e também estará disponível para o público. Será uma consulta à memória da comunidade e origens do bairro”, ressaltou Lúcia. |