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21/07/2010 Diminuir tamanho da letra
Debate religioso
Palestra sobre a história dos judeus no Brasil lota auditório da Biblioteca Nacional
Monique Cardone

Com público de mais de 150 pessoas, o Biblioteca Fazendo História discutiu a importância dos judeus no país. Os historiadores Ângelo Adriano Faria Assis e Fábio Koifman abordaram questões relevantes do tema.

“A presença judaica no Brasil é muito antiga, começou junto com o início da história do país”. Foi assim que Ângelo, professor da Universidade Federal de Viçosa, iniciou a palestra. Ele afirmou que na virada do século XV para o XVI já havia entre 10 e 15% de judeus na população de Portugal. 

Devido à grande quantidade de pessoas judias, o reinado português instituiu o monopólio da fé católica. Mas ao mesmo tempo em que o rei expulsava os judeus, ele também queria convencê-los a ficar, convertendo-os ao cristianismo. O interesse era no conhecimento que essas pessoas tinham, algo que Portugal precisava naquele momento de expansão. Ângelo contou que assim surgiram os “cristãos novos” chamados dessa forma para diferenciar dos de “família”, considerados limpos.

“Depois da conversão forçada, houve um períodos de tolerância para que os “novos” se acostumassem à religião dominante. Depois de 40 anos foi criado o Tribunal de Inquisição que perseguia os “cristãos novos” acusados de se judaizar em segredo. Muitos optaram por vir para o Brasil e conseguiram aumentar suas fortunas e viver de forma mais harmônica”, explicou o historiador.

Esses “falsos” cristãos se reuniam em sinagogas e, entre eles, havia homens importantes da sociedade. Um desses espaços, que durou mais de 30 anos, é a sinagoga de Matoim, no Recôncavo da Bahia.

Fábio Koifman, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), lembra que já no século XX, durante o Estado Novo, o Brasil começou a aceitar a entrada de judeus, ao contrário de outros países. Isso porque os intelectuais brasileiros associaram a má composição étnica do povo ao atraso do país.

A política do branqueamento da população se manteve até o final do primeiro governo de Getúlio Varga. “Em 1938 são publicadas leis que reforçam a preocupação com a composição étnica e um viés que não se limita aos judeus. A lei obrigava a todos os interessados em entrar no Brasil a passarem por uma entrevista com o cônsul para verificar se tinham algum defeito físico e conferir a cor da pele”, disse o historiador.

Mas os eugenistas adaptaram seu pensamento à realidade nacional e muitos flexibilizaram suas políticas. Por isto, alguns estrangeiros consideraram que política do branqueamento da população brasileira estava mais ligada ao ponto de vista da higiene e saúde do que da raça.

Ao serem indagados sobre o porquê de alguns governos serem anti-semitas, os palestrantes afirmaram que a história é sempre contada pela visão do vencedor. E os judeus muitas vezes foram esquecido. Contudo, o Adriano relata que já há mudanças e hoje existem muitos estudos sobre a presença judaica no Brasil, desde o Rio Grande do Sul até o Amazonas.

“A boa notícia é que isso tem fluido aos poucos para o ensino médio. Embora as pesquisas que acontecem na academia levem alguns anos até que possam chegar aos livros didáticos”, contou o professor. 

Veja mais fotos do debate na página da revista no Facebook.

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