O quadro “Enterro” integra o que alguns especialistas consideram a Fase Azul de Portinari. Foi pintado em óleo sobre madeira, em 1959, e estaria avaliado entre R$ 800 mil e R$ 1,5 milhão. A tela faz parte de um conjunto de cinco obras do artista que pertence ao Museu de Arte Contemporânea (MAC). O Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) acionou a Policial Federal para ajudar a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco nas buscas pela obra de 23 por 33 centímetros que ficava em uma das salas do museu.
Para a historiadora Angela Ancora da Luz, “Enterro” é um trabalho característico de uma fase social que Portinari manifestou em obra de arte. “É a memória de povo que sofre, que enterra seus mortos. Mostra a solidão daqueles que trabalham e levam esse caixão. A paisagem é limpa, o chão é escuro e os homens de chapéu caracterizam os trabalhadores do campo. E isso cria um grande enfoque social”.
A especialista na história do artista ainda afirma que é uma pena o roubo de um quadro tão belo. Para Angela, a tela representa uma preocupação poética, que tem uma carga de sensibilidade pela cor e em relação à estética.
A obra ficava muito exposta e desprotegida. O MAC foi inaugurado, em 1966, com a doação de parte da Coleção do Embaixador Assis Chateaubriand ao Estado e está situação em um prédio de 1765 tombado pelo IPHAN. O local não tem circuito interno de câmeras e a segurança é feita por dois vigias, que só deram falta do quadro no fim do expediente de quarta-feira, 14 de julho.
As cinco telas da coleção estavam expostas em uma mesma parede do primeiro andar do museu. Segundo informações da Delegacia de Roubos e Furtos de Olinda, o ladrão entrou como visitante, porque não tem marcas de arrombamento, retirou a tela da moldura e escondeu em uma bolsa ou por baixo da própria roupa.
“O bandido saiu pela porta da frente depois de recolocar a moldura pendurada atrás da janela de forma que não desse para ver que estava sem a tela. No dia do rouba, 10 pessoas assinaram a lista de visitantes do museu. Todos estão sendo investigados”, explicou o delegado Manuel Martins.
De acordo com a Polícia Civil, o MAC que tem quatro mil peças permanecerá fechado por tempo indeterminado, provavelmente até o término das investigações. Além de Cândido Portinari, o acervo conta com obras de obras de Cícero Dias, Eliseu Visconti, Wellington Virgolino, Di Cavalcanti, João Câmara, Guinard, Adolph Gottielib, Burle Max, Francisco Brennand, entre outros.