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09/11/2009 Diminuir tamanho da letra
Trens fantasmas
Segunda maior estação ferrovirária do Brasil está caindo aos pedaços, literalmente.
Bernardo Camara

Como um prenúncio, o letreiro da Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista (SP) vai caindo, letra por letra. Fechado há 12 anos e sem investimentos há muito mais tempo, o prédio erguido em 1887 ameaça desabar. “O telhado já se perdeu todo, assim como boa parte da madeira e do ferro que o ornamentavam”, denuncia Alex Machado, secretário municipal de Indústria, Comércio, Desenvolvimento e Emprego.

Considerada a segunda maior do Brasil, com seus 4.620 metros quadrados de terreno, a estação vem sofrendo atos de vandalismo desde que fechou suas portas, apesar de ser tombada desde 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo. Segundo Alex Machado, o edifício pertencia à Rede Ferroviária Federal, que chegou a acumular dívida de R$ 2,3 milhões por não ter levantado um pincel sequer pela sua conservação. Hoje a Rede está extinta, e a estação aguarda um inventário para ser transferida ao Iphan. 

A prefeitura de Cachoeira Paulista, no entanto, quer encurtar o caminho, e pediu a guarda provisória do prédio. “Estamos correndo atrás da documentação para isso”, diz o secretário. “Nossa preocupação maior é que, se houver desmoronamento, não vamos conseguir mais restaurá-lo”.

Caso a prefeitura consiga a guarda, o terreno será dividido. De um lado, abrigará um centro cultural com cinema e teatro. De outro, a estação voltaria às suas origens, como parte do projeto Trem da Fé. “Com os municípios de Aparecida e Guaratinguetá, fazemos parte do maior polo de turismo religioso do Brasil”, explica Machado. Os trilhos voltariam à ativa para transportar os fiéis.  Enquanto isso não acontece, porém, o letreiro continua cambaleante. 

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