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Primavera de Praga, Guerra do Vietnã, assassinato de Luther King, barricadas pelas ruas da França, revolução cultural na China, agitações estudantis na Europa, na África e na América, massacre de Tlateloco no México. É preciso reafirmar que 1968 foi um ano sem igual? No Brasil, embora muitos já se manifestassem contra a ditadura, o estopim foi a morte do estudante Edson Luís pela polícia, em março. O que até então era um compromisso escondido – a contestação ao regime – transformou-se em obrigação de mostrar a cara. No dia 26 de junho, estudantes, professores, artistas, mães, intelectuais, padres e muitos outros dirigiram-se para a Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro, e realizaram o mais enfático ato de resistência popular à ditadura.
O evento, conhecido como Marcha dos 100 mil, chegou às novas gerações por meio de relatos, mas foram as lentes de um dos nossos principais fotojornalistas, Evandro Teixeira, que eternizaram o momento. Da impressionante massa humana, no canto esquerdo, no alto, desponta a faixa “Abaixo a Ditadura = Povo no Poder”. Como ressalta o jornalista Marcos Sá Corrêa, o registro da cena ganha ainda mais importância pois é um caso raro de fotografia de multidão em que é possível reconhecer com clareza praticamente todos os rostos presentes. Quarenta anos depois, pode-se resgatar o destino daquela geração: cem pessoas, fotografadas entre as 100 mil, apresentam-se hoje, narram suas trajetórias e relembram o que faziam e como se sentiam naquele episódio histórico. O livro reúne também textos de Fernando Gabeira, Vladimir Palmeira, Marcos Sá Corrêa, Augusto Nunes e Fritz Utzeri. São os ecos de uma época, um ano, um dia, que nunca mais se deixarão esquecer.
(Nataraj Trinta)